As dimensões continentais e a pobreza do Brasil são, sem dúvida, uma enorme barreira ao atendimento médico especializado. Muitas famílias que vivem em zonas rurais precisam constantemente viajar a centros urbanos para consultar especialistas. A situação é ainda mais delicada quando se trata de crianças...
Cidade pouco conhecida, esta é Lagarto, em pleno interior de Sergipe. A localidade foi escolhida para dar um passo tecnológico em busca de um melhor atendimento na área da saúde. E o instrumento para isso é a telemedicina. A partir de um projeto piloto, os moradores de Lagarto e de Tobias Barreto, outra cidade da região, terão acesso a consultas virtuais com o Hospital Universitário de Aracaju e também de São Cristóvão, onde fica o campus da universidade federal de Sergipe. O projeto foi batizado, em inglês, de Connected Healthy Children – algo como Crianças Conectadas e Saudáveis. Mas, se a iniciativa vem outro idioma, a ideia é tentar levar alento novo para um problema mais que brasileiro: a carência de especialistas em locais distantes dos grandes centros.
"Nosso objetivo é basicamente ajudar o Estado a levar o melhor atendimento às crianças no interior, que até então teriam de se deslocar para a capital - fazendo viagens longas e perdendo dias de aula. Queremos melhorar as vidas deles, levando médicos até lá de um modo virtual", analisa Rodrigo Dienstmann, presidente / Cisco.
Falando só em equipamentos, são quatro “dual-profiles” como estes; cada um com duas telas de alta definição de 65 polegadas, seis equipamentos de mesa que podem ser usado nos consultórios, dois equipamentos móveis de uso intra-hospitalar e até um dispositivo móvel para uso em campo...
"Os equipamentos táticos de uso são similares àqueles de uso militar. O pessoal leva para as campanhas e faz atendimentos com de urgência com os feridos no lugar. A gente vai usar para chegar até as casas dos pacientes que não têm mobilidade", informa Mario Adriano, organizador do projeto / UFS – Lagarto.
"Neste equipamento de telepresença, você pode conectar instrumentação digital - seja um estetoscópio ou um eletrocardiógrafo - e compartilhar entre os médicos dados que subsidiam um diagnóstico mais preciso", observa Dienstmann.
"Neste equipamento de telepresença, você pode conectar instrumentação digital - seja um estetoscópio ou um eletrocardiógrafo - e compartilhar entre os médicos dados que subsidiam um diagnóstico mais preciso", observa Dienstmann.
Todos os equipamentos têm imagem e som em alta definição para que os especialistas possam conversar com os pais e as crianças, acessar resultados e auxiliar o médico generalista local com uma segunda opinião. A gente sabe, é necessário uma banda larga robusta para transmitir vídeo em HD em tempo real. A solução foi usar uma rede de fibra óptica da Universidade, combinada com o serviço de telefonia móvel local. Para quem gosta dos detalhes técnicos, tudo se apoia numa rede VPN. Ou rede virtual privada.
"A nossa conexão entre a capital e o interior é de 20 megabits, e a conexão cai para 10 megabits entre as clínicas e as nossas unidades, o que garante a transmissão em alta qualidade inclusive com o acoplamento de equipamentos para diagnósticos de doenças nas crianças", afirma Mario Adriano.
"Não precisa de fibra óptica, que é necessária para qualidade HD. Dá para fazer com tecnologia um pouco mais baixa, mesmo que a qualidade não seja tão perfeita", comenta Rene Caracci, diretor executivo / Sonda IT.
"Não precisa de fibra óptica, que é necessária para qualidade HD. Dá para fazer com tecnologia um pouco mais baixa, mesmo que a qualidade não seja tão perfeita", comenta Rene Caracci, diretor executivo / Sonda IT.
Todos os envolvidos no projeto defendem que o programa vai servir de exemplo para uma maior adoção da tecnologia na saúde pública do país; principalmente na pediatria.
A filha da Dona Josefa, que foi diagnosticada com alergia respiratória, foi uma das primeiras crianças a ser atendida através da telemedicina no Hospital de Lagarto. Ela conta que antes era preciso encarar uma viagem de duas horas e meia até Aracaju.
"Vai ser bom porque aqui em Largarto a gente não tem médico especialistas", avalia Josefa dos Santos, doméstica.
Outro benefício do projeto é a implantação de programas de educação continuada, possibilitando o aprendizado à distância dos profissionais de saúde do Estado.
A telemedicina é mesmo tendência na saúde. Recentemente, foram inaugurados três novos núcleos da Rede Universitária de Telemedicina: dois em Fortaleza e outro em Florianópolis.
A experiência de Lagarto mostra como é possível levar mais qualidade ao atendimento médico, graças à tecnologia. É claro que ela não resolve tudo sozinha. O mesmo hospital que foi beneficiado com os recursos da telemedicina se ressente da falta de laboratórios capazes de exames básicos... Um drama que precisa ser resolvido pelos governantes brasileiros...
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