Cá entre nós, demorou! Mas a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo finalmente vai instalar bloqueadores de telefonia celular em cadeias onde estão presos os principais líderes de facções criminosas e outros bandidos perigosos. Segundo o governo, agora a política será de tolerância zero. Bom, antes tarde do que nunca…
A princípio, existe mais de um sistema para bloquear o sinal de telefones celulares em presídios. O que venceu a licitação do governo tem como base a geração de ruído nas faixas de frequência dos serviços móveis e redes wi-fi. O sistema que será instalado inicialmente em 23 presídios é conhecido como Jammer.
"Você monta um sistema com antenas e ele vai bloquear em determinadas áreas", diz oão Carlos Lopes, professor / Inst. Mauá de Tecnologia.
O sistema Jammer é baseado na instalação de diversas antenas parecidas com nossos roteadores wi-fi que emitem um ruído em forma de circunferência nas mesmas frequências dos serviços de telefonia móvel. Controlando a potência do sinal emitido pelas antenas e fazendo uma intersecção da área de cobertura de cada uma é possível delimitar, com precisão, a área a ser bloqueada.
"Até mesmo dentro do presídio, em uma sala administrativa, você consegue usar o celular. Então eles vão montar um projeto de engenharia que vai estimar a quantidade de antenas e a área de cobertura", explica Lopes.
Com as antenas em operação, os aparelhos ficam totalmente sem sinal das operadoras, impedindo assim o sucesso das ligações telefônicas ou troca de dados, como mensagens SMS, por exemplo. O sistema bloqueia o sinal de todas operadoras nos serviços de rádio, GSM, 3G e 4G.
Mas para funcionar direito, e o bloqueio não afetar as áreas externas do presídio é preciso haver um bom projeto de engenharia, não basta simplesmente instalar as antes do Jammer aleatoriamente.
"Os arredores não devem ter a interferência das antenas, que devem bloquear apenas o presídio. Mas isso requer um projeto bem sofisticado de engenharia. Não dá pra você colocar um jammer e sair bloqueando...senão ele vai ter uma coberura parcial", conta.
O professor também lembra que as antenas devem ser monitoradas, para que suas posições não sejam alteradas e – possivelmente – interfiram na qualidade do serviço. Mas, segundo ele, ainda é desconhecida qualquer forma de burlar o bloqueio…
"Atualmente, não existe possibilidade de enganar o Jammer porque, como ele bloqueia a frequência, você não depende de outros fatores, como energia e claridade. Não dá para enxergar porque o sinal é eletromagnético", afirma.
O contrato com a empresa que vai prestar o serviço prevê que novas frequências ou tecnologias que venham a ser licenciadas sejam implementadas rapidamente nas antenas do Jammer. A venda de equipamentos desse tipo é proibida no Brasil. Ainda assim, em mercados clandestino e até na internet é possível encontrá-los facilmente. Ladrões de carga conhecem bem o Jammer; eles costumam usar o equipamento para bloquear os rastreadores dos caminhões em suas ações criminosas.
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